Imagem capa - O Desafio da Amamentação por Karina Brandão
Aleitamento materno

O Desafio da Amamentação

Meu maior medo na gestação era pensar em amamentar. Não medo de não conseguir. Apenas medo de amamentar. Não me pergunte por que.

No fim da gestação procurei tomar um pouco de sol no seio, mas não consegui muito por que estava muito frio (Junho). Na internet dizem muitas coisas pra preparar o seio, mas não segui com nenhuma delas por falta de coragem (passar bucha vegetal, por exemplo. Quem consegue? Nem tentei).

Na sala de recuperação (cerca de meia hora depois do parto) a Stela já veio pro meu colo e os enfermeiros a colocaram pra mamar. A pega dela era certinha (boquinha de peixe). Ás vezes eu precisava ajudar puxando a boquinha embaixo, mas sem maiores dificuldades. Nesse momento ela estava mais dormindo do que mamando de fato, mas foi uma experiência incrível. Não senti dor ou desconforto. Achei que ía ser super tranquilo e meu medo tinha sido a toa.

Depois no quarto ela mamou mais algumas vezes, sem maiores dificuldades. Quando deu 24 horas do parto, o bico do meu seio começou a latejar e ficar em carne viva. Daí começou o pesadelo... passei a amamentar chorando todas as vezes.

No dia seguinte tivemos alta do hospital e fomos pra casa. Assim que cheguei já procurei minha pomada de lanolina e comecei a usar. Também coloquei as conchas de silicone pra aliviar o contato com o sutiã que me fazia tremer de dor. Achei que fosse rolar uma mágica, mas não adiantou. No dia seguinte, assim que deu 8h liguei no banco de leite da Maternidade para marcar um horário. Lá fomos a tarde.

Neste mesmo dia, meu leite desceu e meu peito virou uma pedra quente e dolorida. Parecia que ía explodir a qualquer momento. No banco de leite me ensinaram que não devia usar a pomada e nem a concha. No lugar da pomada passar apenas o leite materno e colocar uma gases entre o seio  e o sutiã. Durante o tempo que fiquei lá elas me ensinaram a ordenhar,  tanto pra aliviar a dor da descida do leite quanto para dar o leite no copinho pra que a Stela não precisasse mamar diretamente. A orientação era pra que eu suspendesse a amamentação no peito por 24 horas e retornasse no dia seguinte pra ver como as feridas no seio estavam. Fui pra casa na esperança de que tudo daria certo. Mas não deu. A minha ordenha era péssima e não saia nada. Meus dedos doíam de ordenhar, meu peito doía de tanto leite, a gase grudava nas feridas do seio e eu via estrelas pra tirar. A Stela chorava de fome. Passei a noite toda sentada na cama ordenhando para sair uma gota a cada 10 minutos. Fracasso e cansaço.

De manhã tínhamos marcado a sessão de Newborn com a Karina Brandão. A Stela estava impaciente de fome e eu extremamente frustrada. Decidi colocar ela no peito e aguentar a dor do bico sangrando. Foi a melhor coisa. Ela mamou como se nada estivesse acontecendo e se saciou. Seguimos com a sessão tranquilamente.



A tarde voltamos no banco de leite conforme combinado e a orientação foi exatamente a mesma: suspender o peito por mais 24 horas já que as feridas estavam iguais e continuar ordenhando pra tentar evitar mastite. Saí de lá muito frustrada e fomos direto pra primeira consulta com a pediatra. Santa Dra. Tania Mara.

No consultório ela perguntou se estava tudo bem com a amamentação e eu disse que não. Ela pediu pra ver meu peito e confirmou que estava muito feio, tanto o bico completamente inchado, sagrando e com peles saindo, quanto a iminente mastite que estava por vir.

Ela me ensinou a colocar a Stela na posição sentada pra amamentar (cavalinho) e evitar que ela continuasse a machucar o mesmo lugar do bico. Também pediu para usar a pomada de lanolina pra amenizar a dor e a concha para dar um respiro e ajudar na cicatrização. Durante as mamadas elas ensinou o Hugo a fazer uma massagem com os dedos no meu seio, ficando em pé atrás de mim.

Seguimos com as orientações dela madrugada adentro e no dia seguinte de manhã eu já não tinha mais pedras nos seios. UFA! Nem acreditava. Uma coisa a menos pra doer. 




Mas ainda seguimos com as massagens por uns dias até que a produção de leite fosse regularizada. Continuei firme amamentando mesmo com dor, usando a pomada e a concha. Procurei também tomar sol no seio pra ajudar a cicatrizar.

Persistência. Esse é o segredo. Fomos firmes até que um dia melhorou!

 E seguimos até hoje, 10 meses depois.



Depoimento do desafio da amamentação da Mamãe: Andréia Faria, Mamãe da Stelinha.